Entendemos bolha por tudo aquilo que nos limita, mas, ao mesmo tempo, nos protege. Nada mais normal do que “bolhas sociais” em nossa vida. Com o mundo virtual, a internet e as redes sociais novas “bolhas” estão surgindo. Então o que podemos fazer para estourar e sair dessas bolhas afinal?

Muitos de vocês que me seguem por aí nas redes sociais sabem, eu trabalho com temas de responsabilidade corporativa e de investimentos/negócios sociais há mais de 15 anos. Nesse tempo já andei por várias partes do Brasil e também tive a oportunidade de circular em outros países, do Chile, ao Paquistão passando pela Nigéria. Ao longo desses anos, por conta do meu trabalho tive a grande chance de conhecer muitos lugares e muitas pessoas, mas principalmente muitas HISTÓRIAS! E isso me mostra a cada momento e a cada dia que o mundo é muito mais amplo, mais diverso, mais complexo, mais colorido do que imaginamos. 

Ao mesmo tempo tive a chance e oportunidade de participar de eventos, congressos, reuniões sobre os temas da minha área de trabalho. E lá estávamos nós, no Brasil ou fora, contando histórias, trocando ideias, trazendo novas abordagens e conceitos, apresentando estudos, mostrando e avaliando “cases” (eu preferia dividir “causos” mas esse é outro tema…). Apesar de todo este movimento percebi, com o passar do tempo, que vivia dentro de uma “bolha”. A cada evento, congresso, simpósio ou conferência encontrava as mesmas pessoas, empresas e organizações, compartilhávamos histórias parecidas e até passamos a usar as mesmas linguagens e termos: CSR, responsabilidade corporativa, investimento social, stakeholder, engajamento, case, matriz de materialidade, matriz de impacto, KPIs e tantos outros. E ao fazer isso, na minha modesta visão, acreditava(mos) que o mundo inteiro era assim, compreendia e refletia o que estávamos trocando por meio de uma vasta rede nacional e mundial de pessoas!

De volta “ao mundo real”, aos projetos e comunidades, nas reuniões com presidentes, diretores e gerentes das empresas, em conversas com o pessoal “de chão de fábrica”, junto às comunidades, nos papos em restaurantes, mercadinhos e feiras de rua a realidade era mais real: percebi que estes conceitos, valores, abordagens, ferramentas, projetos e iniciativas NÃO ERAM NADA DISSEMINADOS E CONHECIDOS pelas pessoas em geral. Sim, VIVEMOS EM BOLHAS E ESTAMOS MUITO CONFORTÁVEIS COM ELA!

Por isso depois de 15 anos minha grande meta em 2019 é ESTOURAR E SAIR DA BOLHA E MOSTRAR COISAS DE OUTRO(S) MUNDO(S)! Contar que inovação, tecnologia, criatividade, geração de impacto, negócios sociais acontecem nos mais variados lugares, das mais diferentes formas, nos contextos mais diversos! E para isso vou começar uma viagem primeiro pelo Brasil e depois na América Latina para contar e mostrar essas histórias. Quero traduzir o que falamos na nossa bolha para o mundo lá fora. Por isso gosto tanto das pessoas e das histórias que ouvi. Porque sempre me mantém fora da bolha ou me ajudam a estourá-la quando me fecho nela.

Fuçando na internet – e saindo da bolha – esbarrei em um artigo publicado em 2016 [1]que fez uma análise dos hábitos de navegação de 50 mil americanos e descobriu que, apesar dos algoritmos e outros mecanismos da internet ainda somos pessoas abertas a ouvir, saber e nos informar sobre assuntos, pessoas, eventos e coisas que estão fora do nosso grupo, cotidiano, da nossa bolha. Além disso há uma enorme DEMANDA POR INFORMAÇÃO E CONTEÚDO RELEVANTE e isso quer dizer que todos, seja online ou offline, dentro e fora das redes sociais, temos acesso a um mar de informação, mas queremos mais do que isso, queremos conteúdos e conhecimento que sejam relevantes para nós. E, como sabem os especialistas da área, isso demanda um passo importante e fundamental que é construir e manter um engajamento, um relacionamento com nossos diferentes públicos como pessoas, profissionais, negócios, corporações e organizações. E pelo que temos visto em relatórios NÃO ESTAMOS FAZENDO ISSO DA MELHOR MANEIRA POSSÍVEL, mas há um importante campo de OPORTUNIDADES PARA MUDAR ISSO.

Por um lado vivemos em bolhas fechadas, confortáveis e aconchegantes que achamos que são a realidade de todos e de outro onde empresas, organizações, negócios, empreendedores e pessoas ainda CONFUNDEM E MISTURAM MUITO O QUE É INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO COM O QUE É CONTEÚDO E RELACIONAMENTO resolvi botar a cara no mundo e tentar encontrar maneiras concretas de gerar conteúdos relevantes. para quem está interessado nestes temas, para quem conhece e quer saber mais, mas principalmente para aqueles que (ainda) não entendem, não conhecem, não sabem que “essas coisas” existem e o que elas têm a ver com o seu dia-a-dia, o seu cotidiano.   

Há um ano criei um conteúdo semanal chamado “Programa Ideia de Impacto” que vai ao ar pela Rádio Geek (www.radiogeekbr.com.br) – uma plataforma de conteúdo e startup criada pela Agência Geeks. Atualmente já alcança mais de 300 mil pessoas/mês no Brasil todo e tem como público um perfil que é influenciador e inovador, com alto nível educacional e muito antenado no tema da inovação, criatividade e tecnologia.

Em apenas 1 ano foram ao ar 30 programas trazendo muito conteúdo, boas conversas, novos amigos, projetos e conexões incríveis! Falamos de um jeito simples, fácil e sem os jargões sobre temas variados que ajudam empreendedores, pequenos negócios e empresas de todos os tamanhos e regiões: independência financeira, criação e diferenciação da sua marca, como melhorar a comunicação, o que fazer para manter relacionamentos, sobre negócios de impacto, inovação e criatividade. Conteúdo consistente, mas que pode ser entendido por qualquer pessoa! Esse trabalho não pode rolar sem a ajuda de amigos, parceiros, redes e foi com a ajuda deles que contamos a história de 10 startups, negócios e empresas que estão mudando a realidade das pessoas, de seus fundadores, das nossas cidades, do Brasil.

Este ano quero ir além. Mas para isso preciso fazer um pedido – e uma provocação – vocês têm CORAGEM DE SAIR DAS SUAS BOLHAS CONFORTÁVEIS E EXPLORAREM OUTROS MUNDOS? Aos corajosos que me acompanham e me leem me ajudem a contar estas histórias, as suas histórias: https://lnkd.in/dHRCQA4.

E vamos começar a viagem!

[1] Filter Bubbles, Echo Chambers, and Online News Consumption – disponível em https://academic.oup.com/poq/article-abstract/80/S1/298/2223402?redirectedFrom=fulltext