POR QUE AS EMPRESAS VÃO DESAPARECER

Ao longo dos últimos anos a maioria das empresas, ao pensarem e implementarem suas estratégias de responsabilidade corporativa (ou sustentabilidade ou responsabilidade social ou o nome que se dê internamente) têm atuado basicamente nos seguintes eixos: eficiência no uso dos recursos (sobretudo nas operações) e na gestão de riscos socioambientais e econômicos (com maior relevância para os últimos, especialmente em contexto de crise). São questões fundamentais para obter e manter as licenças de operação e assim garantir a existência e o funcionamento das empresas. O olhar tem sido para dentro das empresas.

É claro que há algumas empresas e alguns setores que também têm um olhar externo e tratam de temas como gestão de resíduos, impacto na cadeia de fornecedores e também na cadeia recursos e matéria prima. Ainda assim essas iniciativas não deixam de estar alinhadas como os dois pontos acima, e com uma visão “interna”, ou seja, que riscos a cadeia de fornecedores e de material prima pode representar para as minhas operações.

 

O PROBLEMA ESTÁ QUE O GRANDE IMPACTO GERADO PELAS NOSSAS EMPRESAS E PROCESSOS PRODUTIVOS ESTÁ NO AMBIENTE EXTERNO E NÃO NO INTERNO!

O problema é que o grande impacto gerado pelas nossas empresas e processos produtivos está no ambiente externo e não no interno! Ao analisarmos temas como inovação, desenvolvimento local, uso de recursos, impacto climático, geração de resíduos, geração e contratação de colaboradores locais, mapeamento e contratação de fornecedores locais, pesquisa e desenvolvimento, desenvolvimento de produtos, embalagem, logística, etc. percebemos que os impactos mais significativos estão fora da operação, da unidade, da fábrica, do escritório. Quando muito as empresas nos últimos tempos adotaram componentes “verdes” em seus produtos, ou linhas de produtos “verdes” (eco) sem, no entanto, incorporarem a visão de responsabilidade corporativa no seu negócio, na sua produção, na gestão e uso de recursos e em cada área da empresa. O que os consumidores estão pedindo não é uma linha verde ou ecológica, o que os consumidores estão pedindo é uma nova maneira de pensar a produção, os produtos, o consumo, a maneira de trabalhar, a maneira de relacionar-se com diferentes atores chaves para cada uma das empresas em seus respectivos setores.

UM NOVO CONSUMIDOR, UMA NOVA CULTURA

Segundo uma pesquisa feita no mercado americano e europeu, 80% dos consumidores já demandam essa nova visão de que processos e produtos das empresas, sejam eles bens ou serviços, devem ser responsáveis e levar em conta questões socioambientais e econômicas. E mais, demandam INOVAÇÃO na maneira das empresas gerenciarem os seus negócios, produzirem, contratarem, desenharem e lançarem seus produtos ou serviços. Para esses consumidores o conceito de inovação está ligado a processos, produção, serviços e produtos que: respeitem o meio ambiente e o planeta, que melhore a vida e a relação entre as pessoas, que não seja uma moda e perdure, que proteja e resolva questões do futuro das pessoas, que promova satisfação ao realizar atividades, que promova novas experiências, que melhore a imagem da pessoa frente as outras. Algumas empresas já estão nesse caminho e traçaram inclusive metas para ampliar o leque de produtos responsáveis dentro de seus portfolios.

APENAS 28% DELAS SÃO PERCEBIDAS PELOS CONSUMIDORES COMO EMPRESAS RESPONSÁVEIS E QUE GERAM IMPACTO POSITIVO NA VIDA DAS PESSOAS

 

Como existe essa distância entre a visão e abordagem das empresas e as expectativas dos formadores de opinião as empresas têm um grande desafio pela frente. Segundo a pesquisa 74% das marcas e empresas atuais poderiam desaparecer e os consumidores não sentiriam a menor falta e apenas 28% delas são percebidas pelos consumidores como empresas responsáveis e que geram impacto positivo na vida das pessoas e da sociedade. E esses resultados tem impacto direto na vontade do consumidor em indicar a marca ou a empresa, no seu desejo de voltar a comprar produtos ou serviços de uma empresa, na disposição de pagar mais caro pelo produto ou serviço.

Ou seja, milhões são gastos com publicidade, várias empresas desejam se destacar e se diferenciar, inúmeras buscam novos caminhos de se relacionar e manter a fidelidade com seus clientes através do marketing e o resultado tem sido desastroso. E será ainda pior se as tendências e o perfil da geração milênio desenhado pelos especialistas estiver correto pois esta geração tem hábitos, valores, prioridades, referências, nível de informação, grau de conhecimento muito diferente das gerações anteriores – e especialmente em razão da existência e do uso que fazem do mundo digital.

Outro ponto importante é destacar que isso não é um tema das grandes empresas, das grandes corporações, Micro, pequenos e médios empresários, donos de negócios familiares, empreendedores individuais podem e devem estar atentos a este movimento e devem entender isso como uma grande oportunidade para se destacar e ter mais sucesso no seu negócio, seja ele qual for.

 

O CAMINHO DAS PEDRAS

Mas afinal de contas, como um negócio ou uma empresa pode realizar e implantar esse processo, como pode fazer isso no mundo real? Vamos dar aqui os passos principais para poder ter sucesso neste caminho. São sete passos para iniciar a jornada:

  1. CONTEÚDO RELEVANTE PARA QUEM IMPORTA: Dizer que o conteúdo relevante é um dos principais meios de diferenciação de empresas e negócios no mundo virtual e fora dele é algo já redundante. Especialistas, estudos, pesquisas, grupos de conversa com consumidores e outras metodologias já comprovaram isso. Os consumidores, fornecedores, colaboradores, parceiros, acionistas, governos e todo e qualquer ator que seja importante para a empresa esperam, desejam e estão prontos para receber conteúdo que seja relevante para ele.
  2. NÃO SE COMUNIQUE COM QUEM VOCÊ SE IMPORTA, CONSTRUA RELACIONAMENTO: para saber o que cada uma das pessoas importantes para o seu negócio quer saber é preciso perguntar, conhecer e relacionar-se. Isso demandará das empresas a construção de uma estratégia e de um plano de ação (com tarefas, responsáveis, prazos e recursos definidos) para poder se relacionar de forma efetiva com cada um deles.
  3. SEJA UMA MARCA POSITIVA[i]: uma marca positiva é aquela que tem um propósito único e verdadeiro, que está ligado a uma missão, um proposito, um desejo de transformar o seu setor, as pessoas. O propósito é o que faz a marca ser única.
  4. DESENVOLVA PRODUTOS E SERVIÇOS ALINHADOS E COM SENTIDO PARA QUEM É IMPORTANTE: o proposito deve guiar as ações da empresa ao desenvolver seus produtos e serviços. Ouvir e relacionar-se com os diferentes atores relevantes para o seu negócio (veja item 1 e 2) ajuda a ter uma visão de que produto ou serviço ele deseja, permite receber contribuições e ter inspirações que inclusive podem ajudar a empresa, o negócio a achar um novo nicho, um novo grupo para o que está oferecendo.
  5. PROCESSOS E PESSOAS: pense, repense, desenhe, inove, crie processos que possam responder ao seu propósito e as necessidades atuais e futuras do seu setor. Lembre-se também que pessoas são fundamentais para o sucesso de qualquer negócio, portanto, garanta que tenham apoio, formação, envolva, promova a criatividade, estimule o trabalho em grupo e a co-criação.
  6. PERENIDADE: o compromisso com o propósito deve ser algo que dure, que seja perene e não que mude ao sabor da moda, do mercado, das margens de lucro. Lembre-se é ele que vai fazer sua empresa e seu negócio se destacar na multidão!
  7. NÃO SIGA TENDÊNCIAS, SE ANTECIPE A ELAS: tenha pro atividade, não siga tendências, seja inovador. Há uma frase do fundador da Ford Motors que traduz bem essa visão: “Se fosse seguir o que os outros esperavam, o que meus clientes demandavam teria produzido carroças com mais cavalos, e não o automóvel.”

[i] O conceito de MARCA POSITIVA aqui utilizado tem como referência o conceito, referências e elementos criados pela consultoria UTOPIES. Para maiores informações acessar www. https://www.utopies.com.br/home.