Como alguém que vem trabalhando com temas “novos” para a grande maioria das pessoas como sustentabilidade, responsabilidade corporativa, engajamento, negócios sociais, investimentos sociais e afins, acho fundamental considerar um importante indicador – ou KPI se preferirem – do ponto de vista da comunicação e entendimento sobre essas áreas “esquisitas”: o KPI “tia Cotinha”. Não, não é uma piada! Esse foi o indicador que criei para representar a enorme dificuldade que temos, nós os profissionais e gente interessada nestes assuntos, em comunicar e traduzir para a maioria das pessoas com as quais convivemos esses temas.

Ou seja, sempre que penso em como explicar algo a alguém, ou escrevo sobre algo me pergunto: será que o que estou falando, escrevendo e explicando faria sentido para a tia Cotinha? Sabe aquela pessoa que não tem a menor ideia do que você faz, do que são esses conceitos, será que ela (ou ele) conseguiria entender um pouco melhor sobre essas coisas a partir do que falamos e comunicamos?  Muitas vezes temos sucesso, outras não – e essas são ainda a maioria dos casos…

É preciso evitar a síndrome da depressão, o efeito Lexotan, o foco nos problemas que sempre tende a ser mais forte quando falamos sobre questões sociais, econômicas ou ambientais: esses temas precisam ser sexy. Precisamos construir uma comunicação e um posicionamento que seja interessante, atrativo, estimulante para as pessoas!

Existem inúmeros exemplos de como a comunicação é algo fundamental para o sucesso de projetos, de empresas, de iniciativas. Mesmo aquelas consideradas inovadoras, atuais e modernas. Um exemplo recente e concreto desse aspecto foi a experiência da FA.VELA, uma das primeiras aceleradora de negócios e projetos de base favelada do Brasil (http://www.maisfavela.org) que ao iniciar os trabalhos em Belo Horizonte, Minas Gerais começou o processo divulgado para a comunidade seus cursos e programas e chamando os “empreendedores” para uma reunião. Ninguém aparecia apesar das comunicações intensas feitas pela equipe. Mas, conversando com as pessoas perceberam que elas não tinham a menor ideia do que era ser empreendedor, ou seja, não sabiam o significado da palavra! E como em várias comunidades e favelas do Brasil, havia pequenos negócios nos mais variados setores, serviços e tamanhos. Ao longo dos seus anos de atuação uma das sacadas da FA.VELA foi ajustar a linguagem e a comunicação para aquele público e até seus programas foram batizados com expressões  e termos usados pela comunidade.

Portanto, lembrem-se que não devemos falar somente para os “iniciados” ou o pessoal da nossa turma. Não devemos cair no hábito – muito comum e recorrente – de usar jargões e expressões achando que elas são comuns e compreendidas por todos – apenas porque vivemos nessa “bolha” falando com pessoas que circulam nesse meio, entendem os jargões e também se utilizam deles. Como diria um velho comunicador brasileiro chamado Chacrinha: quem não se comunica, se trumbica!

Para quem estiver interessado em novas tendências e técnicas de comunicação aconselho a lerem posts anteriores aqui no FIQUE LIGADO: http://ideiadeimpacto.com/descubra-como-funciona-nosso-cerebro-e-comunique-se-melhor/ e http://ideiadeimpacto.com/descubra-como-funciona-nosso-cerebro-e-comunique-se-melhor/