O QUE VAI LER: O que é blockchain, de onde surgiu, como está sendo usado e qual sua conexão com soluções de impacto

INTRODUÇÃO

Confesso que há poucas semanas atrás não tinha a menor ideia do que se tratava o blockchain. Não, eu não sou especialista na área e no tema, afinal meu negócio é apoiar e gerenciar soluções de impacto pra garantir que elas aconteçam, se multipliquem e deem frutos! E acredite, isso não é pouco!

Mas afinal de contas porque acabei me metendo então nessa história? Porque nas últimas semanas fui (fomos) fagocitados, cobertos, bombardeados de informações sobre as criptomoedas e como esse essas transações feitas sem a presença de um banco central (ou organização equivalente) estão mudando o mundo, de como várias pessoas estavam investindo nas moedas ganhando e perdendo dinheiro, como essas moedas estavam se valorizando e despencando a medida que os dias passavam, de como as autoridades financeiras e monetárias deste Brasil e de outras paragens estavam procurando organizar a “festa do caqui” que parecia tudo isso…

Ai, inevitavelmente, tive(mos) que conhecer esse tal de blockchain – que à primeira vista mais parece o nome de uma nova cerveja artesanal superespecial ou a marca de um remédio regulador do trato intestinal…Por que inevitavelmente meu caro leitor? Porque é através do blockchain que acontecem as transações das criptomoedas, horas bolas! Mas calma! Respira fundo e não se desespera que eu vou começar do começo essa história.

ERA UMA VEZ

Era uma vez no não tão longínquo ano de 2009 (para ser bem mais exato, no dia 03 de janeiro daquele ano) nascia oficialmente a Bitcoin, uma moeda totalmente digital (sem disponibilização em papel), de alcance global e que não é controlada por governos ou instituições tradicionais. Não há banco central, casa da moeda, fundos monetários privados, enfim, nenhuma entidade por trás das negociações ou transações do Bitcoin. Ela tinha sido apresentada o mundo num artigo publicado em 2008 por Satoshi Nakamoto com o título “Bitcoin: A Peer-to-Peer Electronic Cash System – e pra deixar mais maluca ainda essa história, saiba você car@ leitor@ que o autor ao que parece é um Avatar, um codinome que esconde ou uma pessoa ou um grupo de pessoas! – vai dizer que não dava um roteiro de filme! (se liga Holi/Bollywood!)

Acontece que o Bitcoin é uma rede Ponto a Ponto (ou em Inglês Peer-to-Peer -P2P). Isso significa que todas as movimentações e transações são gerenciadas por cada um dos usuários que fazem parte do sistema, no estilo arroz empapado: junto venceremos! Assim, quando um usuário realiza transações o computador (ou qualquer outro dispositivo móvel) que é utilizado para essa tarefa passa a participar de uma rede por meio de sua carteira de criptomoeda. Se um nó sai dessa rede (não importa a razão), os demais usuários continuam mantendo o sistema funcionando. Se houvesse um controle central, bastaria que este fosse derrubado para o sistema cair para todo mundo.

Não havendo um sistema centralizado, como a distribuição das criptomoedas é feita? Como as transações são realizadas e validadas? É aqui que entra em cena nosso personagem principal, o blockchain! (ou em bom português, bloco de cadeia de blocos). Um registro público que reúne todas as informações necessárias para o processamento e proteção das transações realizadas – agora você entendeu por que de tanto ouvir falar em criptomoeda é claro que eu descobriria o blockchain!

O blockchain é um banco de dados, mas não como um banco qualquer: ele é um sistema que funciona coo um registro inviolável e muito eficiente de informações. É, além disso, um banco de dados distribuído e que não tem um gestor central e nem intermediários de qualquer natureza

O blockchain é um banco de dados, mas não como um banco qualquer: ele é um sistema que funciona coo um registro inviolável e muito eficiente de informações. É, além disso, um banco de dados distribuído e que não tem um gestor central e nem intermediários de qualquer natureza. Logo é um sistema que precisa ser confiável exatamente para poder permitir de maneira segura transações feitas de forma direta – sem a autoridade central, sem o intermediário. Resumidamente e de forma simples o blockchain é uma cadeia de blocos de informações e de registros de todas e quaisquer transações, registros feitos num sistema, tanto as anteriores como as posteriores.

E mais: esses blocos de informações também é público: todos os usuários e participantes do sistema, da rede têm acesso às informações, todas elas! Porém, quando processados, os blocos não podem ser apagados ou alterados. Além disso, novos registros só podem ser feitos mediante um processo de validação. Esse sistema de blocos, por ser distribuído, está em milhares de computadores, logo, quando uma atualização (legítima) é feita, todos as cópias são sincronizadas em questão de segundos. Pode até ser que um ou outro computador suma da rede, mas isso não afetará o sistema, pois todos os outros usuários estão dentro da rede, assim como todas as informações realizadas.

DO SETOR FINANCEIRO E ALÉM!

Com essas características todas nosso querido personagem blockchain, que começou a ser pensado com foco no setor financeiro e em transações monetárias pelas criptomoedas, de tão interessante, chamou a atenção de outros setores e empresas. Afinal, ficou claro para todos que estavam acompanhando seu surgimento e uso, que ele pode ser usado em sistemas de outros tipos: comerciais, governamentais, eleitorais, de direitos autorais, cooperação internacional e por aí vai. Não é por menos que bancos, seguradoras, corretoras de ações, empresas de segurança, governos, bancos de desenvolvimento, ONGs, agências governamentais, redes, partidos políticos e tantas outras instituições se tornaram “blockchainmaniacas” e estão acompanhando nosso amigo mais do que brasileiro vendo a novela das 21h!

(…) ajudando a desenvolver soluções e maneiras de usar o blockchain para outros fins: os da solução de impacto para desafios e oportunidades socioambientais e econômicas desse mundo a fora! – afinal a curadoria tem sido a incrível e prazerosa tarefa de ligar os pontos, as pessoas, as organizações com o objetivo de fazer as soluções e os solucionadores parceiros da Ideia de Impacto acontecerem no mundo real!  

Mas afinal de contas o que uma pessoa que trabalha com curadoria, tutoria e implantação de soluções de impacto está metendo o bedelho nesse assunto? Primeiro de tudo devo esclarecer que o meu “bedelho” na verdade está focado em encontrar e ter contato com as pessoas que tratam, conhecem e estão ajudando a desenvolver soluções e maneiras de usar o blockchain para outros fins: os da solução de impacto para desafios e oportunidades socioambientais e econômicas desse mundo a fora! – afinal a curadoria (que é sim minha parte nesse latifúndio), tem sido a incrível e prazerosa tarefa de ligar os pontos, as pessoas, as organizações com o objetivo de fazer as soluções e os solucionadores parceiros da Ideia de Impacto acontecerem no mundo real!

Assim, caros leitores, termino esse primeiro texto com alguns exemplos do uso potencial do blockchain como uma ferramenta de impacto – ou blockchain de impacto como chamei no último Programa Ideia de Impacto dessa semana na Radio Geek (vai no canal do YouTube da Ideia e assiste ao vivo e em cores o programa e a entrevista!):

  1. Investimento e Negócios Sociais: o investimento de impacto social pode ser aberto a um público mais amplo, inclusive de fundos e recursos privados com alta capacidade de investimento (inclusive com capital aberto e listado nas bolsas de valores). Algo parecido com os financiamentos ou vaquinhas coletivas, mas com contratos inteligentes que trazem mais segurança e podem gerar o pagamento de lucros aos investidores.
  2. Demonstração de resultados e impactos de projetos e iniciativas: O aumento da coleta de dados através do blockchain também ajudaria na mensuração e avaliação precisas dos resultados do investimento – que é um dos maiores desafios das empresas, fundações, institutos e organizações que apoiam e realizam negócios ou investimentos sociais no Brasil (e esse é um desafio para outras regiões do mundo também).
  3. Troca e venda de energias renováveis: geração e troca de energia excedente produzida já estão sendo utilizadas de forma crescente em vários países (Austrália, África do Sul, Lituânia, EUA entre outros) onde empresas realizam a troca de energia solar baseada no blockchain permitindo aos proprietários dos painéis solares venderem e trocarem o seu excedente com seus vizinhos, gerando renda e movimentando a economia.
  4. Uso Seguro de dados Pessoais: o blockchain permite armazenar dados de forma segura e privada em aplicativos distribuídos e descentralizados que, ao critério do usuário, poderiam instantaneamente ser transferidos para instituições financeiras, seguradoras ou profissionais de saúde.
  5. Coleta de informações (Big data): nossa habilidade e capacidade de gerar, coletar e processar dados tem crescido de forma exponencial, gerando o famoso big data. Esse processo tem levando a questões relacionada a privacidade de dados, uso responsável de informações, temas de diretos humanos. Por termos uma plataforma de negociação e troca (seja por moedas, tokens ou outros incentivos) organizações, entidades, empresas terão de criar mecanismos e incentivos para garantir a coleta continua de informação de seus clientes ou públicos chaves para seus negócios, pesquisas ações, etc.

Esses são apenas alguns exemplos iniciais do potencial do blockchain. Nas próximas semanas vou compartilhar com vocês mais informações e exemplos do blockchain de impacto a partir de um relatório publicado por uma grande universidade americana. Aguardem as cenas dos próximos capítulos!