O Whow! Festival de Inovação aconteceu em São Paulo nos dias 24 a 26 de julho discutindo vários temas sobre inovação e promovendo visitas à projetos realizados por empresas e organizações. No painel que discutiu a EDUCAÇÃO E A INOVAÇÃO foram levantados vários pontos interessantes sobre como alunos, professores, escolas e universidades vem tratando do tema no Brasil.

Compartilhamos com vocês alguns destaques:

  • A expectativa de alunos e professores e outros agentes que trabalham com educação é de que haja um conteúdo customizado para o seu perfil e o professor, cada vez mais, vai assumir um papel de facilitador dos alunos e dos conteúdos.

  • No Brasil as crianças com até 10 anos de idade, 90% nunca teve um livro próprio e algumas têm acesso a livros compartilhados (de amigos ou escola), portanto, há um vácuo enorme na nossa educação que vem muito antes da tecnologia e da internet e tem relação com acesso a recursos básicos.

  • No nosso pais o professor vê a tecnologia como um excesso de trabalho: para a grande maioria ter que lidar com a tecnologia é uma demanda a mais num cenário de sobrecarga e de falta de recursos básicos e baixa remuneração. A grande maioria dos professores não recebe capacitação ou atualização de conteúdos educacionais e pedagógicos, quanto mais de aspectos de inclusão digital e tecnológica. Há entretanto iniciativas pontuais de escolas e faculdades privadas criando espaços comuns de compartilhamento de informação, recursos e intermediações pedagógicas que permitem a interação entre os alunos e os professores a partir de inovações tecnológicas.

  • A linguagem de gamificação deverá ser adotada nas novas tecnologias permitindo a interação e uma melhor experiência por parte do usuário, seja ele o aluno ou o professor.

  • As mudanças nas grades curriculares são mais fáceis de acontecer naquelas disciplinas ou conteúdos novos, se comparada a disciplinas já existentes. As estruturas das universidades em geral também dificultam esse processo de modernização e adaptação das faculdades, de suas disciplinas e departamentos pois historicamente tem uma estrutura fragmentada, em compartimentos.

  • A tendência no futuro é que tenhamos professores com um conhecimento mais amplo e diverso de diferentes campos e áreas do conhecimento, do que especialistas com conhecimentos aprofundados sobre determinado assunto. Diante das mudanças do mundo atual o professor inevitavelmente precisará ter conhecimentos e experiência sobre o mundo digital, portanto, nosso desavio como sociedade é promover essa “alfebetização” e inclusão digital de nossos professores.

  • Os projetos acadêmicos devem cada vez mais adotar uma visão prática pois os alunos e professores, para se engajarem, esperam ter uma visão dos impactos gerados pelo projeto ou pela pesquisa. Ver que aportes e contribuições trarão para o mundo real. Em razão disso as organizações de ensino estão cada vez mais ajustando seus conteúdos e suas abordagens pedagógicas e de pesquisa para construir a ponte entre as teorias e os conceitos e sua aplicabilidade prática no mundo.

  • Os materiais e livros devem ser desenhados para promover o engajamento de crianças e adolescentes. Quando eles se identificam com o material utilizado o nível de aprendizado é de 3 a 5 vezes mais rápido, o que tem um grande impacto na vida desses alunos.

  • Na relação entre a customização desejada e a escalabilidade necessária o caminho é utilizar a Educação a Distância (EAD) através de plataformas que permitam realizar as aulas e apresentações online e ao vivo, juntamente com a aula presencial. Nesse campo as melhores experiências e resultados tem ocorrido quando organiza-se uma aula presencial que é transmitida online e, além do professor ou palestrante, há um moderador e facilitador que promove a interação com aqueles que estão conectados virtualmente àquela aula.

  • O engajamento dos alunos também tem se mostrado melhor quando, no espaço virtual e digital, são criados grupos e salas por temas com os quais eles podem interagir e aprender.

  • Algumas experiências positivas foram feitas com salas com temas chaves (e polêmicos) como religião, política, futebol, terrorismo, sexo, etc.: nelas os alunos podiam se manifestar, mas para isso precisavam eleger um avatar conectado a um personagem histórico relacionado ao tema da sala. Com isso os alunos naturalmente buscavam aprender e  entender quem era o personagem, qual seu posicionamento com o tema da sala e naturalmente as postagens gradativamente têm se tornado mais consistentes.

  • No Brasil as ações de sucesso são vistas sempre como pilotos e SEM o caráter de replicabilidade: ou seja, pequenas ou pontuais iniciativas realizadas com sucesso e num contexto específico normalmente não são replicadas ou escalonadas, e nem recebem apoio ou incentivo público ou privado para que isso aconteça. A Finlândia tornou-se uma referência na educação básica e fundamental promovendo este processo: os envolvidos numa experiência exitosa receberam apoio e recursos materiais e financeiros dos governos (local, regional ou nacional) para serem os responsáveis por replicar e adaptar estas experiências para outros locais e contextos, ampliando as chances de sucesso e usando as boas práticas e as ações de sucesso como uma referência e caminho para a melhoria da qualidade da educação.

  • Nos próximos anos vamos ter cada vez mais as “pessoas oneline”, ou seja, somos pessoas que estaremos ao mesmo tempo ocupando esses dois campos, o mundo online e o mundo offline e as organizações, os professores e demais agentes que pensam e trabalham a educação no Brasil precisam estar cientes disso e atuar para que o país e a educação se beneficie dessa nova realidade.

 

P.S.: Informações sobre o programa e estratégia de educação na Finlândia: https://www.oph.fi/download/164907_learning_and_competence_2025_finnish_national_board_of_education.pdf
PS2: Boa prática na personalização de conteúdos e livros para público infantil: Editora Dentro da História: https://www.dentrodahistoria.com.br/
PS3: Movimento nacional multi-stakeholder para garantia do acesso à educação de qualidade no Brasil: www.todospelaeducacao.org.br