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  • Conceito de criatividade
  • 5 passos para adotar uma postura criativa na prática

A palavra CRIATIVIDADE vem do latim creatus, que significa criar, do verbo infinitivo creare. E, de acordo com o dicionário Houaiss, criatividade pode ser definida como “a qualidade ou característica de quem […] é criativo; inventividade; inteligência e talento, natos ou adquiridos, para criar, inventar, inovar”. O dicionário Aurélio define criatividade como “capacidade criadora, engenho, inventividade; capacidade que tem um falante nativo de criar e compreender um número ilimitado de sentenças em sua língua.”

Para muitos a criatividade consiste em encontrar métodos ou objetos para executar tarefas de uma maneira nova ou diferente do habitual, com a intenção de satisfazer um propósito. Dai a conexão muito comum entre criatividade e inventividade, que nada mais é do que um pensamento original, pensamento divergente ou imaginação construtiva. Ambos conceitos implicam o ato de inventar algo novo (isto é, recorrer ao engenho), a capacidade de encontrar soluções originais e a vontade de mudar o mundo.

Quando se fala ou se lê sobre criatividade a primeira imagem que temos é de que algumas pessoas são criativas e outras não. Que algumas nasceram com esse “dom”, com essa “característica”, quase como se fosse algo genético que estivesse dentro de nossos cromossomos. Mas, ao contrário do que a grande maioria imagina, a criatividade é uma característica que TODOS NÓS temos! Independente da idade, da origem, do nível de estudos, da nacionalidade, da etnia. A criatividade nasce com a gente, alguns a mantém, outros vão pouco a pouco “desaprendendo” a ser criativos e colocando “travas” ao longo da vida: por crítica, medo, escola, profissão e outros motivos – vamos trocar uma ideia sobre isso num post, num futuro não muito longínquo. Mas a boa notícia é que podemos tirar estas travas e recuperar, relembrar, reaprender as nossas capacidades criativas através de processos, trabalho, leituras e aprendizados.

Hoje vou passar pra vocês 4 passos iniciais para adotarem uma postura, um estilo de vida ou de organização criativa. São passos iniciais simples, importantes, mas não necessariamente fáceis. Mas, eu no seu lugar, não deixaria de tentar e praticar! Vamos lá:

  1. PRATIQUE O ESQUECIMENTO: esquecer é algo que sofre muito preconceito da nossa parte, está sempre associado à algo ruim, negativo, algo que não deve ser praticado. Não é a toa que Dante colocou o esquecimento em um de seus infernos: para entrar no inferno de Dante, existe um rio chamado Late – que literalmente significa esquecimento. Na mitologia Grega, quem bebesse das águas ou apenas tocasse o leito do rio experimentaria o esquecimento completo. Na segunda parte da Comédia de Dante, o Purgatório, o Rio Late aparece como o rio cuja água os pecadores têm de beber para apagar de suas memórias seus pecados e assim poderem entrar no Céu ou Paraíso. Pois saiba que, para mudar a maneira de pensar não basta acrescentar coisas novas, precisamos remover coisas. como numa atualização do celular ou do computador que precisa funcionar melhor tirando os velhos sistemas, os antigos algoritmos e estruturas para funcionar diferente
  2. TENHA UMA MENTE FLEXÍVEL – normalmente nos tornamos pessoas meio engessadas, fixas na maneira de pensar, de ver o mundo, de entender as coisas e as pessoas. Ficamos viciados nessas lentes, nessas conexões. por isso muitos chamam ou dizem que pessoas assim têm a “mente rígida”. Quando estudava Biologia no colégio Rainha da Paz em São Paulo, aprendi nas aulas do professor Massao, sobre a teoria da evolução de Darwin. Enganam-se aqueles que acreditam que ele afirmou que é a mais forte espécie que vence a batalha pela vida e pela evolução. Segundo a frase original do livro “A Origem das Espécies” de 1859: Não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente, mas o que melhor se adapta às mudanças. Uma espécie, mas adaptável consegue ter maior resiliência frente as mudanças e vai permanecendo no mundo! – outro conceito bem trabalhado nas aulas de Biologia. Portanto seja flexível, mude suas ideias, a maneira como você vê o mundo, suas crenças. seja flexível para poder ver o mundo, encontrar caminhos, pensar em soluções, encontrar oportunidades para sua empresa, seu negócio e sua vida pessoal. Só assim as chances de você encontrar novos jeitos para seus desafios, para soluções e para oportunidades vai mudar, vai ser mais criativo e inovador. Pensa aí do outro lado: quando foi a última vez que você mudou de ideia? Quando foi a última vez que você mudou de opinião?
  3. PRATIQUE O DESAPEGO: que está muito ligado ao passo anterior. Largue mão de suas ideias, concepções, visões de mundo, de suas histórias vividas ou planejadas. Eu me lembro que quando terminei a faculdade de direito no século passado estava totalmente focado em fazer o Instituto Rio Branco para seguir a carreira de diplomata porque eu sempre gostei de viajar, de ter contatos internacionais, de conhecer outras culturas e de fazer a conexão do Brasil com outras partes. Por conta disso fui até Brasília conversar com amigos e conhecidos que eram diplomatas. Pra minha surpresa – e desespero inicial – eu achei tudo muito chato, ultrapassado, antigo.  Se fosse apegado ao plano original, diga-me caro leit@r, o que ia fazer da vida? Se eu não estivesse aberto a outros caminhos e jeitos de pensar conseguem imaginar a ansiedade e preocupação que poderia ter tido? Eu sabia que queria trabalhar com algo que me ligasse ao mundo, me permitisse conhecer outros lugares, pessoas e culturas. Pois bem, para fazer de uma longa história – interessante e cheia de aventuras – algo curto evitando transformar este post num “esta é sua vida”, essa postura me ajudou porque, algum tempo depois comecei a trabalhar num projeto de cooperação com a Itália focado na Represa de Guarapiranga (onde passei a adolescência) que abriu as portas para projetos de cooperação internacional, que me conectou com ONGs e o Terceiro Setor e que permitiu que fosse bolsista da Fundação Rockefeller num programa internacional que me levou para lugares incríveis como Nigéria, Paquistão, Índia e Amazônia e que até hoje me liga a uma rede de mais de 3 mil pessoas em mais de 100 países. Conclusão: não fique grudado e apegado a suas ideias, concepções, visões e planos como se fosse um objeto de valor inestimável e que você não pode simplesmente deixar ir embora. Esteja aberto a outras pessoas, outras ideias e outras visões.
  4. DEIXE DE LADO SEUS PRECONCEITOS: quando a gente pensa sobre preconceito o mais comum é associar isso a questões de raça, classe social, orientação sexual, religião, política. Sim, todas essas áreas e aspectos da nossa vida são passíveis (infelizmente) de serem focos de preconceito. Mas além disso é possível que se tenha preconceitos sobre uma ideia ou um conceito. Quer alguns exemplos? Autoajuda, Programação Neurolinguística, Astrologia, Terapia, Mediação, Hipies….e a lista pode aumentar. Então cuide-se para não ter preconceitos, nem aqueles relacionados a conceitos ou às ideias, lembre-se que um dos elementos importantes do processo criativo e fazer conexões sobre referencias que temos e conhecemos, combinar nossos referencias de um novo jeito. E o preconceito é uma barreira ao conhecimento. Deixamos de conhecer alguma coisa ou alguém, o que no mínimo, é, do meu ponto de vista uma grande perda de oportunidades e potencialidades. Então deixe esses novos referenciais entrarem!
  5. CONHEÇA E FIQUE NA SUA ZONA DE DIFERENCIAÇÃO: a maioria de nós é muito bom em nos convencermos a nós mesmos sobre o que somos bons, o que fazemos bem, o que nos é tranquilo. Gostamos de permanecer no que a maioria chama de zona de conforto: aquela área que já conhecemos, já sabemos, aquilo que é “tranquilo” para nós. Para mim isto é um passo para a estagnação – ficar parado, congelado, imutável como uma estátua. Eu prefiro usar o termo adotado por Murilo Gun (empreendedor, comediante e que ensina temas sobre criatividade) que fala em zona de estagnação e zona de diferenciação – sendo essa última aquela área que sim, pode nos gerar desconforto, mas onde podemos fazer as coisas diferentes, aprender, descobrir, explorar.

Com o uso, a pratica e trabalhando cada um desses 5 passos iniciais garanto que você, sua família, sua equipe começará a ter momentos criativos muito mais frequentes do que imaginam. Não precisam acreditar em mim, testem! E não se esqueçam: A criatividade exige a coragem de deixar as certezas de lado!