Consciente:
1. que tem conhecimento de sua própria existência e capacidade de pensar, desejar, perceber etc. 
2. que envolve raciocínio, conhecimento, percepção, decisão.
 O QUE VAI LER
  • Dados de contexto
  • Visão geral do Capitalismo Consciente e resultados para os negócios
  • Como aplicar e implantar essa visão no seu negócio
  • Saiba mais – veja entrevista no Programa Ideia de Impacto sobre Capitalismo Consciente

CONTEXTO

O mundo tem maior concentração de renda, diferentes níveis de acesso e uso de recursos, desigualdades sociais cada vez mais gritantes. Segundo World Wealth and Income Database mostra que os o grupo do 1% mais rico da população mundial têm, juntos, 20% da renda mundial; enquanto os 50% mais pobres ficam com cerca de 9% dos rendimentos do planeta.

O Brasil é historicamente um país desigual. No caso do Brasil, a mesma pesquisa cobre o período de 1990 a 2015: o país ganha destaque no relatório pela extrema concentração de renda no topo da pirâmide. Segundo a pesquisa, o 1% mais rico do país tem 28% da renda nacional — ou seja, bem acima da média mundial, que é de 22%.

Em um padrão de consumo muito baixo, a Terra pode sustentar muito mais do que os 7 bilhões atuais. Ao nível de consumo crescente em que vivemos, com o tipo de uso que se faz dos bens naturais, creio que já ultrapassamos o limite.

O que sustenta o volume atual da população é, paradoxalmente, a desigualdade de acesso aos bens e à riqueza que caracteriza a organização da sociedade atual, com um grande volume de população vivendo em situações de baixíssimo consumo, e um grupo muito reduzido (embora crescente) de pessoas com um elevadíssimo padrão de consumo dos recursos.

O grande desafio das próximas décadas é a busca da redução das desigualdades, sem que isso signifique dilapidação/contaminação dos recursos naturais. Mas isso exige um outro estilo de desenvolvimento econômico e social.

 

O QUE É O CAPITALISMO CONSCIENTE

O capitalismo consciente é um movimento global, uma filosofia de negócios, para gerar prosperidade de forma humanizada, fundamentado em quatro princípios:

  1. Liderança Consciente: o líder consciente foca no sucesso de todos os atores (stakeholders), principalmente as pessoas com quem ele trabalha diariamente. Estes líderes entendem que o seu papel é servir ao propósito da organização e ajudar aqueles que ele lidera a realizar grandes transformações para a organização e para suas vidas pessoais. Estes são líderes humildes, dispostos a prender e engajar os corações, mentes e mãos de suas equipes.
  2. Propósito Maior: a pessoa jurídica deve ser uma das maiores invenções da humanidade, uma vez que permite somar talentos de várias pessoas para atender às necessidades da sociedade. Isso por si só já é evidência de que o propósito de uma empresa não pode ser o lucro, nem uma meta ou objetivo, mas a consequência de quão bem uma organização atende às necessidades da sociedade na qual está inserida. Todos querem contribuir para fazer o mundo um lugar melhor. Empresas conscientes colocam essa ideia no centro de suas atividades. As empresas conscientes entendem que o lucro é fundamental para a sua existência, mas não a razão de sua existência. Não dar lucro é uma irresponsabilidade social, podendo colocar em risco uma quantidade enorme de pessoas e famílias.
  3. Orientação para os atores e parceiros: John Muir observou que “quando puxamos uma coisa na natureza, descobrimos que ela está presa e conectada a todas as outras coisas no mundo”. Líderes conscientes entendem que isso também é válido no mundo dos negócios. Sem um ecossistema saudável, o negócio irá falhar.
  4. Cultura Consciente: a cultura é o mecanismo de criar clareza que permite empoderar e engajar as equipes. Uma cultura forte está baseada em propósito, valores, princípios, reconhecimento e celebração. Uma vez que essa estrutura está bem definida e difundida na organização a função do líder passa a ser de um gestor de recursos para que cada um tenha ao seu alcance tudo o que precisa para suceder. As pessoas querem fazer a diferença em suas vidas, na vida de suas famílias, em suas comunidades e até no mundo. Todos querem viver uma vida com propósito. Somente precisamos dar a elas a oportunidade em nossas organizações, e isso fará com que retenhamos os grandes talentos e atraiamos mais, tão necessários para o crescimento da empresa.

 

RESULTADOS PARA OS NEGÓCIOS

No livro “Empresas Humanizadas – pessoas, propósito e performance”, demonstra que as organizações que seguem esses princípios de negócio, criando valor para toda sociedade com base no propósito superior e a integração dos seus atores tem um desempenho superior à média do mercado.

Em uma análise das empresas considerando sua variação do índice da bolsa de valores dos Estados Unidos S&amp P500 para um período de 15 anos, o desempenho daquelas que adotam a visão do Capitalismo Consciente chega a 1600% contra os 168% da média histórica do mercado.

Outro comparativo de desempenho foi feito com as empresas mencionadas no livro “Good to Great”, de Jim Collins, que apresentar um desempenho de 178% no mesmo período, que também é bastante inferior ao desempenho das empresas humanizadas.

COMO FAZER NA PRÁTICA

Mas afinal,como fazer na prática? Como implementar o Capitalismo Consciente mesmo que seja num pequeno negócio ou numa microempresa? Isso é possível?

  1.  Assuma uma postura de líder servidor: o líder consciente foca no sucesso de todos os atores (stakeholders), principalmente as pessoas com quem ele trabalha diariamente. Estes líderes entendem que o seu papel é servir ao propósito da organização e ajudar aqueles que ele lidera a realizar grandes transformações para a organização e para suas vidas pessoais. Estes são líderes humildes, dispostos a prender e engajar os corações, mentes e mãos de suas equipes.
  2. Busque o seu propósito superior: conheça histórias de empresas que fazem a diferença e assista a vídeos como o TEDx de Simon Sinek (Golden Circle), que ajuda a entender de onde deve vir o propósito. Esse é definitivamente o exercício mais desafiador, no meu ponto de vista. Você precisará de tempo para pensar e de certa forma “digerir” o conceito antes de começar a verbalizar o seu propósito. Pense nas seguintes questões: Por que você começou a sua empresa? O que faz você acordar todas as manhãs e ir trabalhar? O que você oferece para seus clientes que vai além do produto ou serviço da empresa? Qual é o impacto que você causa na vida das pessoas, da sua comunidade, no seu bairro, na sua igreja, no seu clube, na sua associação?
  3. Integração para seus parceiros e outros atores: ter um bom relacionamento com todos os atores e parceiros que te ajudam a realizar seu negócio, seu sonho e caminhar alinhado com seu propósito é uma prática que garante uma vantagem competitiva para a empresa. Quando nos preocupamos com cada um dos grupos com os quais interagimos estabelecemos relações mais fiéis, criando maior lealdade – inclusive da comunidade onde estamos inseridos. Sempre que se relacionar com colaboradores, fornecedores, clientes, parceiros, entidades de classe, sindicatos, vizinhos, etc. vá além da relação do interesse financeiro e utilitário que aquela pessoa ou grupo tem com você. Busque outros benefícios que possam gerar valor para os envolvidos.
  4. Desenvolva a sua cultura responsável: entenda quais são os valores mais importantes para o sucesso do seu negócio, e escreva os princípios desses valores (como você reconhece cada um em ação). Isso ajuda todos a entenderem e abraçarem esses princípios, praticando-os em seu dia a dia.

Quer saber mais? Veja a entrevista de Thomas Eckschimidt do Capitalismo Consciente Brasil para o Programa Ideia de Impacto: www.youtube.com/watch?v=VtI_3gUG5pk&t=2454s